quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Educação como um processo de humanização

A psicopedagoga Isabel Parolin abordou, durante sua conferência, os desafios necessários para a educação ir além da mera informação. Citando exemplos comuns do dia-a-dia, ela reforçou a importância de pensar em contexto e de possuir empatia para transformar o aprendizado em vivência. “Observo muitos casos de pessoas que, por mais estudadas que sejam, por mais informação que tenham decorado, ainda se pegam dizendo coisas como ‘não posso resolver seu problema porque o sistema está fora do ar’ ou ‘não posso trocar seu produto, porque esse é um produto inquebrável’, quando, na verdade, estão de frente a problemas que podem ser resolvidos de formas alternativas”.

A professora afirma, ainda, que é preciso se colocar no lugar do outro para provocar o exercício criativo da resolução de problemas.

Uma nova pedagogia para ensinar para a vida

Conduzido por Daniela Sobral, o minicurso “Pedagogia de projetos e aprendizagem: estratégias para o desenvolvimento da memória de longa duração” mostrou que o verdadeiro ensino pode se estender além de conteúdos decorados. Sobral é mestra em Psicologia Cognitiva pela Universidade Autónoma de Madrid e defende uma escola baseada em menos respostas curtas e mais contextualização.

Para ela, “a problematização favorece a memória porque vai criar outras relações e instigar a curiosidade do aluno. Quando perguntamos ao aluno o que é uma alimentação saudável ele pode pesquisar na internet e descobrir a resposta. Mas se perguntarmos como podemos fazer para ter saúde a partir da nossa alimentação, as respostas não estão prontas”. Os três pilares: problema, curiosidade e interesse precisam estar presentes para que o conhecimento ultrapasse as barreiras da escola e o estudante possa levar o ensino para a vida.

Senac abre 174 vagas para cursos de capacitação gratuitos

Os 10 cursos propostos serão realizados em Chã de Alegria, Glória do Goitá e no Recife. Inscrições já estão abertas

O Senac, por meio do Programa Senac de Gratuidade (PSG), abre inscrições para 174 vagas em 10 cursos direcionados a pessoas de baixa renda. As capacitações serão realizadas no Recife, em Chã de Alegria e em Glória do Goitá. As oportunidades são para os cursos de Operador de Computador, Recepcionista, Atendente de Lanchonete, Garçom, Cabeleireiro Assistente, Manicure e Pedicure, Maquiador, Massagista, Programador Web, Montador e Reparador de computadores.

Alguns pré-requisitos devem ser cumpridos para que os interessados possam realizar as inscrições, entre eles está a renda familiar per capita, que deve ser de até dois salários mínimos federais. Os demais pré-requisitos podem ser encontrados no Documento do Processo de Inscrição 2014.37, juntamente com o formulário de inscrição, disponível no link www.pe.senac.br/psgnet, entre os dias 18 e 24 de setembro.

No dia 25 de setembro será divulgada uma lista dos aprovados na etapa de inscrição no site www.pe.senac.br. Após o resultado, as matrículas estarão abertas nos dias 25 e 26 de setembro. Os moradores do Recife devem se dirigir, em um dos dias, à Av. Visconde de Suassuna, na sede do Senac. Para quem mora em Chã de Alegria, as matriculas serão realizadas na sede do Telecentro (Rua João Pessoa, nº109 – Centro) e em Glória de Goitá na Secretaria de Ação Social (rua Aurino Correia de Lima, nº 36 – Centro).

Serviço:
Programa Senac de Gratuidade - Recife, Chã de Alegria, Glória de Goitá
Operador de Computador, Recepcionista, Atendente de Lanchonete, Garçom, Cabeleireiro Assistente, Manicure e Pedicure, Maquiador, Massagista, Programador Web, Montador e Reparador de computadores.
Inscrições: 18 a 24 de setembro no site do Senac www.pe.senac.br/psgnet
Resultado: 25 de setembro
Matrículas: 25 e 26 de setembro
Mais informações: no site do Senac www.pe.senac.br/psgnet e pelo 0800 081 1688

Tecnologia em sala de aula para a evolução do aprendizado

Público conheceru o Qmágico, ferramenta criada por Feijão 
A tecnologia está cada vez mais presente na vida de professores e alunos, mas ainda é desafiante para os educadores encontrar a forma ideal de introduzi-la na sala de aula. Segundo Álvaro Cruz, que conduziu o minicurso “Vida virtual na educação - Tecnologias para personalização do aprendizado” em conjunto com Thiago Feijão, só colocar computadores em sala de aula não funciona. Ele frisa que “aprender não é só repetir uma série de padrões, a criança não aprende tudo só com o computador, o professor precisa estar conectado com todo o processo”.

Thiago Feijão, CEO do QMágico, apresentou a história da criação da plataforma de mesmo nome para o público, desde a fase de construção até a concretização do projeto. “Todo mundo diz que você tem que levar um computador para a sala de aula, mas é o professor que deve conduzir a aprendizagem em conjunto com a tecnologia”. Ao final da apresentação, os congressistas puderam experimentar o QMágico, sob a orientação do criador da ferramenta. 

Motivação interna: o combustível para a educação eficiente

“Existe uma grande diferença entre produzir conhecimento e dar aula. Não podemos nos contentar em ser um país que dá aulas e copia métodos de ensino de outros locais”, afirmou o professor Pedro Demo, na conferência “Ambientes virtuais na aprendizagem - aprendizagem como autoria”.

Entre os assuntos abordados pelo professor está o papel do educador como mediador e, mais do que isso, motivador de seus alunos. “Essa geração de estudantes gosta de desafio. Eles não querem saber de aulas biônicas. Eles estão aprendendo com os jogos eletrônicos a enfrentar desafios cada vez mais difíceis. Isso é fundamental para a sala de aula”, comenta Pedro. “Aprender é uma atividade que vem de dentro. O educador tem o papel de puxar, tirar de dentro o espírito crítico de seus alunos”, completa ele.

Interação através do uso de jogos na aprendizagem é foco de minicurso

O segundo dia do XII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação segue a todo vapor com os minicursos oferecidos aos congressistas. Em diversas salas, profissionais de educação se reúnem com a intenção de adquirir mais conhecimentos para a prática profissional. “O uso de brinquedos e jogos na educação” foi o minicurso apresentado pela doutora em educação Adriane Kroeff, do Rio Grande do Sul.    
                  
Durante a capacitação, Kroeff expôs o conceito do que é jogo e afirmou que a sala de aula é um espaço de treinamento para o jogo real que é a vida. Abordando conceitos como interação com o próximo, respeito e tolerância, os participantes trabalharam a dança circular, um momento em que todos deram as mãos e seguiram as instruções da doutora. “Quando estamos em círculo, ninguém fica em destaque e todos estão em harmonia”, afirmou Adriane.

Autoconhecimento, consciência coletiva e ética também foram destaques no minicurso. Adriane defendeu que, antes, precisamos nos educar para conseguir educar o próximo. “Precisamos educar para construir uma sociedade cooperativa, mas nós não tivemos essa educação antes. Então, temos que nos educar para poder educar o próximo”, disse.

Autismo é foco de palestra no XII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação

A educadora paulista Elvira Souza Lima discorreu sobre fatores de não aprendizagem na escola e soluções para as situações apresentadas. O autismo foi um dos entraves mencionados pela palestrante. Durante a palestra, esta ideia de limitação da doença foi desconstruída com a apresentação de mecanismos que possibilitam os autistas a externarem o que chamamos de “mundo particular” em que eles vivem. Existem programas de computador que os auxiliam a expressar literalmente o que pensam, através de toque na tela. “Na verdade, eles compreendem o que falamos, só não reagem da maneira que estamos acostumados”. Além disso, os autistas enxergam as pessoas como se fossem fotografias e quadros estáticos, o que acaba provocando a reação de não olhar no olho. Desta forma, é difícil pra eles perceber as reações alheias, de forma a dar a impressão de falta de comunicação, completou Elvira.

Empreendedorismo social para mudar o mundo

Para Josias Albuquerque, devemos buscar fazer a diferença 
Um dos momentos mais aguardados da programação da quinta-feira foi o painel duplo com as participações do professor Josias Albuquerque e do escritor e jornalista Eduardo Lyra. No primeiro momento, o presidente do Sistema Fecomércio / Sesc / Senac contou como a sua história de vida e de carreira contribuiu para desenvolver um espírito empreendedor social. “Às vezes, mesmo que a gente não possua todos os recursos para mudar a realidade que nos cerca, podemos - e devemos - tomar ações simples, mas que fazem toda a diferença. Eu acredito que cada pessoa pode usar seu potencial, seu talento, para transformar a vida de alguém”, afirmou o professor. “Empreendedorismo não se resume a dinheiro. Esse não deve ser o principal foco. A gente precisa fazer a diferença”, completou ele.

Lyra incentiva professores a fazerem a diferença nas escolas
No segundo painel, o escritor paulista Eduardo Lyra apresentou o trabalho de empreendedorismo que ministra à frente da ONG Gerando Falcões. Ele, que é autor do livro Jovens Falcões, e chegou a ser considerado um dos jovens mais influentes do país pela revista Forbes Brasil, contou sobre o trabalho realizado com jovens da periferia de todo o País. “As estatísticas diziam que eu, pobre, favelado, cujo pai já havia sido preso, não teria nenhuma chance na vida. Minha vitória foi superar essas probabilidades”, afirmava ele. Hoje, Eduardo viaja o país para fazer trabalhos culturais e esportivos com jovens moradores de favelas. “Minha função é dizer a essas pessoas que elas podem ser o que quiserem. Elas podem voar mais alto. Esse é o meu jeito de mudar o mundo. E eu acredito que cada um pode mudar o mundo. Para vocês, professores, o mundo pode ser a sala de aula. Façam a diferença dentro dela”, disse o escritor.